Nao sei se ja repararam mas, cada vez mais se tem visto um sentimento de odio contra os Alemaes.
Dizem as pessoas, aparentemente, informadas e espertas, que os Alemaes sao muito maus e que estao a tentar apoderar-se da Europa, tentando controlar os piquenos!
Ao longo das ultimas semanas, tenho visto um constante zum zum sobre como os Alemaes sao porcos, feios e maus, porque nao querem continuar a suportar os PIIGs.
Dizem as mas linguas (muito informadas e inteligentes), que os Alemaes nao estao a apoiar o espirito de Uniao necessario ao sucesso da Uniao.
O problema e que, com este escalar do odio aos Alemaes e ao seu estilo de vida, comecei a ouvir varias bocas sobre como os Alemaes nunca saldaram as suas dividas da Primeira e Segunda Guerra Mundial, e que o seu estilo de vida so foi possivel gracas a terem escravizado outros povos e por os outros paises da UE serem obrigados a importar bens Alemaes.
Ouvi isto umas 3 ou 4 vezes e ja estava a achar estranho, ja que o discurso se estava a tornar repetitivo e estranhamente consistente.
Ora, e claro que isso tinha uma razao de ser! E que, aparentemente, anda por ai um email a circular que fala do quao maus os Alemaes estao a ser para a Grecia, e de como a Grecia e uma cambada de coitadinhos por causa dos abusos Alemaes.
E o email reza assim:
"Ler até ao fim. Resposta de um grego a um alemão que se sente ofendido com o "estilo de vida" grego.
Carta
aberta, publicada na revista STERN, de um cidadão alemão, Walter
Wuelleenweber, dirigida a "caros gregos", com um título e sub-título:
Depois da Alemanha ter tido de salvar os bancos, agora tem de salvar também a Grécia
Os gregos, que primeiros fizeram alquimias com o euro, agora, em vez de fazerem economias, fazem greves
"Caros gregos,
Desde
1981 pertencemos à mesma família. Nós, os alemães, contribuímos como
ninguém mais para um Fundo comum, com mais de 200 mil milhões de euros,
enquanto a Grécia recebeu cerca de 100 mil milhões dessa verba, ou seja a
maior parcela per capita de qualquer outro povo da U.E.
Nunca nenhum povo até agora ajudou tanto outro povo e durante tanto tempo.
Vocês
são, sinceramente, os amigos mais caros que nós temos. O caso é que não
só se enganam a vocês mesmos, como nos enganam a nós.
No
essencial, vocês nunca mostraram ser merecedores do nosso Euro. Desde a
sua incorporação como moeda da Grécia, nunca conseguiram, até agora,
cumprir os critérios de estabilidade. Dentro da U.E., são o povo que
mais gasta em bens de consumo.
Vocês
descobriram a democracia, por isso devem saber que se governa através
da vontade do povo, que é, no fundo, quem tem a responsabilidade. Não
digam, por isso, que só os políticos têm a responsabilidade do desastre.
Ninguém vos obrigou a durante anos fugir aos impostos, a opor-se a
qualquer política coerente para reduzir os gastos públicos e ninguém vos
obrigou a eleger os governantes que têm tido e têm.
Os gregos são quem nos mostrou o caminho da Democracia, da Filosofia e dos primeiros conhecimentos da Economia Nacional.
Mas, agora, mostram-nos um caminho errado. E chegaram onde chegaram, não vão mais adiante!!!"
Na semana seguinte, o Stern publicou uma carta aberta de um grego, dirigida a Wuelleenweber:
Caro Walter,
Chamo-me
Georgios Psomás. Sou funcionário público e não ?empregado público?
como, depreciativamente, como insulto, se referem a nós os meus
compatriotas e os teus compatriotas.
O
meu salário é de 1.000 euros. Por mês, hem!... não vás pensar que por
dia, como te querem fazer crer no teu País. Repara que ganho um número
que nem sequer é inferior em 1.000 euros ao teu, que é de vários
milhares.
Desde
1981, tens razão, estamos na mesma família. Só que nós vos concedemos,
em exclusividade, um montão de privilégios, como serem os principais
fornecedores do povo grego de tecnologia, armas, infraestruturas (duas
autoestradas e dois aeroportos internacionais), telecomunicações,
produtos de consumo, automóveis, etc.. Se me esqueço de alguma coisa,
desculpa. Chamo-te a atenção para o facto de sermos, dentro da U.E., os
maiores importadores de produtos de consumo que são fabricados nas
fábricas alemãs.
A
verdade é que não responsabilizamos apenas os nossos políticos pelo
desastre da Grécia. Para ele contribuíram muito algumas grandes empresas
alemãs, as que pagaram enormes ?comissões? aos nossos políticos para
terem contratos, para nos venderem de tudo, e uns quantos submarinos
fora de uso, que postos no mar, continuam tombados de costas para o ar.
Sei
que ainda não dás crédito ao que te escrevo. Tem paciência, espera, lê
toda a carta, e se não conseguir convencer-te, autorizo-te a que me
expulses da Eurozona, esse lugar de VERDADE, de PROSPERIDADE, da JUSTIÇA
e do CORRECTO.
Estimado Walter,
Passou
mais de meio século desde que a 2ª Guerra Mundial terminou. QUER DIZER
MAIS DE 50 ANOS desde a época em que a Alemanha deveria ter saldado as
suas obrigações para com a Grécia.
Estas
dívidas, QUE SÓ A ALEMANHA até agora resiste a saldar com a Grécia
(Bulgária e Roménia cumpriram, ao pagar as indemnizações estipuladas), e
que consistem em:
1. Uma dívida de 80 milhões de marcos alemães por indemnizações, que ficou por pagar da 1ª Guerra Mundial;
2. Dívidas por diferenças de clearing, no período entre-guerras, que ascendem hoje a 593.873.000 dólares EUA.
3.
Os empréstimos em obrigações que contraíu o III Reich em nome da
Grécia, na ocupação alemã, que ascendem a 3,5 mil milhões de dólares
durante todo o período de ocupação.
4.
As reparações que deve a Alemanha à Grécia, pelas confiscações,
perseguições, execuções e destruições de povoados inteiros, estradas,
pontes, linhas férreas, portos, produto do III Reich, e que, segundo o
determinado pelos tribunais aliados, ascende a 7,1 mil milhões de
dólares, dos quais a Grécia não viu sequer uma nota.
5.
As imensuráveis reparações da Alemanha pela morte de 1.125.960 gregos
(38,960 executados, 12 mil mortos como dano colateral, 70 mil mortos em
combate, 105 mil mortos em campos de concentração na Alemanha, 600 mil
mortos de fome, etc., et.).
6. A tremenda e imensurável ofensa moral provocada ao povo grego e aos ideais humanísticos da cultura grega.
Amigo Walter, sei que não te deve agradar nada o que escrevo. Lamento-o.
Mas mais me magoa o que a Alemanha quer fazer comigo e com os meus compatriotas.
Amigo
Walter: na Grécia laboram 130 empresas alemãs, entre as quais se
incluem todos os colossos da indústria do teu País, as que têm lucros
anuais de 6,5 mil milhões de euros. Muito em breve, se as coisas
continuarem assim, não poderei comprar mais produtos alemães porque cada
vez tenho menos dinheiro. Eu e os meus compatriotas crescemos sempre
com privações, vamos aguentar, não tenhas problema. Podemos viver sem
BMW, sem Mercedes, sem Opel, sem Skoda. Deixaremos de comprar produtos
do Lidl, do Praktiker, da IKEA.
Mas
vocês, Walter, como se vão arranjar com os desempregados que esta
situação criará, que por ai os vai obrigar a baixar o seu nível de vida,
Perder os seus carros de luxo, as suas férias no estrangeiro, as suas
excursões sexuais à Tailândia? Vocês (alemães, suecos, holandeses, e
restantes ?compatriotas? da Eurozona) pretendem que saíamos da Europa,
da Eurozona e não sei mais de onde.
Creio
firmemente que devemos fazê-lo, para nos salvarmos de uma União que é
um bando de especuladores financeiros, uma equipa em que jogamos se
consumirmos os produtos que vocês oferecem: empréstimos, bens
industriais, bens de consumo, obras faraónicas, etc.
E, finalmente, Walter, devemos ?acertar? um outro ponto importante, já que vocês também disso são devedores da Grécia:
EXIGIMOS QUE NOS DEVOLVAM A CIVILIZAÇÃO QUE NOS ROUBARAM!!!
Queremos
de volta à Grécia as imortais obras dos nosos antepassados, que estão
guardadas nos museus de Berlim, de Munique, de Paris, de Roma e de
Londres.
E EXIJO QUE SEJA AGORA!! Já que posso morrer de fome, quero morrer ao lado das obras dos meus antepassados.
Cordialmente,
Georgios Psomás"
E esta tudo dito! Nao e verdade?
Ora, fora as inconsistencias obvias deste email, como o facto do Ikea ser Sueco e nao Alemao, isto ate parece ser uma daquelas tipicas respostas onde "o gajo calou o outro".
Mas, como eu nao sabia pormenores do que se passou com a Alemanha apos a Segunda Guerra Mundial, e quanto e que eles realmente pagaram (ou deixaram de pagar) em retribuicoes, decidi fazer uma pequena pesquisa.
Como ja esperava, encontrei dados muito interessantes que desmentem o que este email parvo diz.
Encontrei entao estes artigos deveras interessantes:
"Does Germany Owe Greece $95 Billion from WWII", "War Reparations" e "How much reparation did Germany have to give the Allies in particular England France and the US at the end of World War 2?"
Onde descobri coisas como:
"The suffering caused to Greece by the Nazis is undeniable. Yet at the same time, human suffering cannot really be measured. Independent historians unanimously agree that the total economically measurable damages suffered by Greece as a result of the German occupation, in both absolute numbers as well as proportionate to the population, put Greece in fourth place after Poland, the Soviet Union and Yugoslavia.
E esta tudo dito! Nao e verdade?
Ora, fora as inconsistencias obvias deste email, como o facto do Ikea ser Sueco e nao Alemao, isto ate parece ser uma daquelas tipicas respostas onde "o gajo calou o outro".
Mas, como eu nao sabia pormenores do que se passou com a Alemanha apos a Segunda Guerra Mundial, e quanto e que eles realmente pagaram (ou deixaram de pagar) em retribuicoes, decidi fazer uma pequena pesquisa.
Como ja esperava, encontrei dados muito interessantes que desmentem o que este email parvo diz.
Encontrei entao estes artigos deveras interessantes:
"Does Germany Owe Greece $95 Billion from WWII", "War Reparations" e "How much reparation did Germany have to give the Allies in particular England France and the US at the end of World War 2?"
Onde descobri coisas como:
"The suffering caused to Greece by the Nazis is undeniable. Yet at the same time, human suffering cannot really be measured. Independent historians unanimously agree that the total economically measurable damages suffered by Greece as a result of the German occupation, in both absolute numbers as well as proportionate to the population, put Greece in fourth place after Poland, the Soviet Union and Yugoslavia.

0 comments:
Post a Comment