Fico parvo com os comentarios que vi a esta noticia no facebook:
"Luis Campos e Cunha, o primeiro ministro das Finanças de José Sócrates, que saiu depois de quatro meses de governação, diz que Portugal terá pelo menos cinco anos de crescimento «anémico» e que uma taxa de juro de 4,2% no pacote de ajuda da UE/FMI seria «muito positivo».
O que tem falhado na política económica europeia? A culpa dos problemas reside, sobretudo, nos próprios países. Os irlandeses têm alguma desculpa, porque as finanças públicas estavam em ordem e foram contaminadas por um sistema financeiro mal supervisionado. Em Portugal, a origem da crise e do resgate está na política orçamental completamente desastrosa, sobretudo a partir de 2008.
Quais foram os principais erros? Portugal teve azar em ter um Governo muito eleitoralista e com eleições no final de 2009. O Governo começou a prepará-las logo em 2008, com a redução do IVA no primeiro trimestre. Devo ter sido quase a única voz que se levantou contra a medida, alertando que era demasiado prematura e que o sistema financeiro poderia necessitar de algum apoio do Estado, como estava já a ser previsto em diversos países em consequência da crise do subprime nos EUA. Após a falência do Lehman Brothers, em Setembro de 2008, instalou-se uma onda de pseudo-keynianismo na política económica mundial que caiu como sopa no mel a um Governo que está à beira de eleições e que passou a gastar sem restrições. A primeira má surpresa surge em Janeiro de 2010, quando o défice de 2009 foi revisto em alta até 9,2%.
Aí começaram as desconfianças dos mercados?Sim, os mercados, ou melhor, os nossos credores começaram logo aí a desconfiar de Portugal. A seguir às eleições, com a expectativa de que iria durar poucos meses, o Executivo cedeu a uma série de interesses - médicos, enfermeiros ou professores - que receberam amplas benesses entre o final de 2009 e início de 2010. Depois, o primeiro Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC), de Março de 2010, era muito fraco e não atacou o problema a sério. Em Abril, a S&P desce em dois níveis o rating da dívida e, a partir daí, foi uma bola de neve . O Governo reagiu sempre tarde aos acontecimentos e, quando se reage tarde, não se é credível e isso é terrível para a reputação de um país. Estava nas cartas já nos finais de 2010 que Portugal teria de pedir ajuda internacional.
Que expectativas tem para o plano de ajuda da UE/FMI? Tem de ser suficientemente compreensivo, alargado e forte para que os mercados acreditem, mas não pode ser tão violento ao ponto de as pessoas não acreditarem que seja praticável. Se for feito um pacote de reformas coerente e sustentável, é obrigatório do lado da União Europeia aplicar taxas de juros e prazos de pagamento mais vantajosos do que os do mercado, porque o risco de Portugal será também menor. Se conseguíssemos uma taxa próxima da Grécia (4,2%) seria muito positivo.
A banca foi uma vítima ? Foi totalmente vítima da política orçamental irresponsável do Governo. No fim de 2009, os bancos mostraram que tinham feito uma avaliação do risco muito cuidada face aos alemães, norte-americanos ou ingleses. Mas, em Abril de 2010, o rating de Portugal baixa em dois níveis, obrigando a uma descida do da banca. O sector vê os mercados de financiamento fecharem-se e fica a braços com problemas de funding e de concessão de crédito.
A restrição de crédito ameaça o crescimento das exportações? Há o risco de o sistema financeiro não conseguir conceder o crédito necessário às empresas exportadoras e levar a que as vendas ao exterior não cresçam como o esperado. A Europa está a viver uma política monetária muito expansionista, ao contrário de Portugal, que é muito contraccionista, porque a banca não consegue fazer chegar o crédito em quantidade e a baixo custo aos consumidores e empresas.
Os portugueses já tomaram consciência do que aí vem? Sabem que a situação é muito difícil, com taxas de desemprego recorde, subidas de impostos brutais e redução de apoios sociais. O que aí vem, nem eu sei - e sou professor de Economia! Para já, temos garantidos pelo menos cinco anos de crescimento muito anémico; se as coisas não correrem bem, serão dez.
É imperativo um Governo ou coligação maioritária para aplicar as medidas do FMI? Não sou a favor de um centrão no poder, mas, em momentos dramáticos como este, pode ser preciso um bloco alargado e amplamente consensual no Parlamento que consiga conduzir o país durante três ou quatro anos.
E é possível um governo de Bloco Central com os actuais responsáveis políticos? Não será possível com José Sócrates. Sócrates é o problema e com ele não haverá qualquer coligação possível. Se o PS perder as eleições por larga margem, é natural que mude de secretário-geral. Se perder por margem curta ou ganhar as eleições, Sócrates continuará.
Como avalia o trabalho de Teixeira dos Santos? Teixeira dos Santos foi um mero executor da política orçamental de Sócrates. Qualquer pessoa que me sucedesse tinha de aceitar que Sócrates era o ministro das Finanças. É a Sócrates que devem ser atribuídas as responsabilidades pela situação do país.
Estamos em risco de reestruturar a dívida, como a Grécia? A Grécia é um caso muito particular, porque tem um nível de endividamento de cerca de 150% do PIB, um valor dificilmente sustentável. A necessidade de reestruturação é capaz de ser inevitável. O nosso caso dependerá de dois efeitos: o primeiro é a tentação de Portugal querer avançar para uma reestruturação se a Grécia a fizer e se correr bem. É sempre uma tentação grande para os políticos portugueses não pagar, embora pagar o que se deve honre os países e as pessoas; o segundo efeito depende da sustentabilidade do pacote e das medidas de ajuda. Se este assegurar taxas de juro comportáveis para consolidar as finanças públicas, Portugal não deve reestruturar a dívida. Isso seria uma vergonha para todos nós."
O titulo e enganador e foca-se numa frase (aparentemente) provocadora mas ele esta ABSOLUTAMENTE CORRECTO no que diz: Banca foi vitima do Governo.
Ja estou FARTO de dizer a toda a gente (que me e proxima) que o governo usou e abusou da crise internacional (a crise internacional teve as costas largas) quando, na realidade, nos estamos na merda por causa das nossas politicas gastadoras e corrupcao.
Os bancos tambem tiveram as costas largas ja que toda a gente ACHA que eles sao os maus da fita.
Sem duvida que SEMPRE foram protegidos pelo governo por pagarem menos impostos MAS o que este ex-ministro esta a dizer e que eles foram afectados por algo que o governo fez:
- nos sempre gastamos a cima das nossas possibilidades, pedindo sempre creditos ao estrangeiro;
- so que, com as mas politicas do governo, os credores internacionais ficaram muito mais apreensivos em nos emprestarem dinheiro (e deram uma ma classificacao a Portugal, catalogando-nos de "nao fiaveis")
- por esta razao, os bancos sofreram porque, sendo Portugueses, agora tem dificuldades em conseguirem fazer transaccoes com o estrangeiro (com a mesma facilidade que dantes faziam).
- nos sempre gastamos a cima das nossas possibilidades, pedindo sempre creditos ao estrangeiro;
- so que, com as mas politicas do governo, os credores internacionais ficaram muito mais apreensivos em nos emprestarem dinheiro (e deram uma ma classificacao a Portugal, catalogando-nos de "nao fiaveis")
- por esta razao, os bancos sofreram porque, sendo Portugueses, agora tem dificuldades em conseguirem fazer transaccoes com o estrangeiro (com a mesma facilidade que dantes faziam).
Nao tenham qualquer duvida, o problema da crise Portuguesa NADA tem a ver com a crise internacional...tem a ver com corrupcao e dinheiro mal gasto.

Hello Luis,
ReplyDeleteA realidade é um pouco mais complexa que a análise ... check this: http://jumento.blogspot.com/2011/04/carta-aos-senhores-da-troika.html
Parece que o senhor Cunha de quem se fala é o mesmo que aqui citas ... reformado aos 49 anos, depois de 6 a trabalhar no BdP ... tb quero!
Abraço.
JM
Hello grande Joao :o)
ReplyDeleteSem duvida que sim, mas a analise deste gajo diz, claramente, que a culpa da situacao e por gastos exagerados (tal como os apontados no blog que apontaste).
O importante desta mensagem e mesmo que a banca e apontada como a culpada da situacao de merda em que o pais esta e e GRANDE tanga.
O problema do pais e mesmo corrupcao e gastos acima das possibilidades pela funcao publica (e atencao que eu nao me estou a referir aos gajos que trabalham na funcao publica como tu, estou-me a referir aos que trabalham por cunhas, por afinidade e/ou nem sequer poem la os pes - leia-se por tanto, cargos maioritariamente politicos).
O mesmo se aplica a contratos de adjudicacao directa (como aqueles que ainda agora se descobriram (entre tantos), de contratos com 30 empresas (ou algo assim) que nem sequer estavam formadas ainda...).
Abraco!
Luis Miguel